terça-feira, 28 de junho de 2011

"O que não queremos ver, não podemos enxergar"

O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença. O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência?

O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.

Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de tailandês, escrever poemas, dançar na rua, brigar com Deus e o Mundo por você, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, abandonar seus sentimentos, abrir mão de sua vida, matar seu próprio amor, estamos nem aí, não interessa o que você faça, já há uma opinião formada e não existe, "não existe", alternativa. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos mais o número do telefone das pessoas para quem não ligamos, nem seu e-mail pra algum contato virtual. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada, sem cor. 

A indiferença é a hostilidade em pessoa e é por si só o pior dos sentimentos humanos, que se pode oferecer sem um pingo de arrependimento, aos nossos semelhantes. Quem usa de indiferença castiga de uma maneira sobrenatural a outra pessoa sem que esta se possa defender, pois o indiferente não oferece abertura, para uma conversação, já que se fecha no seu mundo com seus semelhantes. O indiferente é uma pessoa normal, ao seu ver só precisa dos seus, e ficará tudo bem. Não quer problemas pra si, não é capaz de admitir ser ajudada e com facilidade atrai falsos amigos, vivendo só com a sua razão. A indiferença cria inimigos e intrigas por onde passa e é inquietante o seu negativismo, "eu não posso", "eu sei que isso não vai dar certo", "eu não posso fazer isso assim", "você está errado eu estou certo", "eu sei o que eu vivo", "eu sei o que eu passo", "eu sofro", "eu choro, só eu sei"...eu...eu...eu...eu...eu...eu, etc... Perceberam o Egocentrismo e o egoismo? ................ Pois é.
O pior é que a pessoa é indiferente no trato com o outro, tira prazer disso no seu egocentrismo desumano e incansável, pois estas pessoas gostam de causar dano às pessoas que tentam lhes ajudar. A indiferença maltrata sem uma única fagulha de arrependimento, são indivíduos do bem, porém, perdidos em sua mente, logo culpam tudo e todos por acharem que estão certos em relação a eles, e se baseiam nesse sentimento preconceituoso, de que os outros são assim, "não conseguem enxergar o meu lado" ... "Eu não, eu to sempre errado, tudo sou eu", sinais clínicos de indiferença consigo mesmo e com quem se importa. Quem é indiferente basta-se a si próprio, ou assim o julgam, e retira desse sentimento defeituoso um gozo inesgotável, que gostam de pregar aos sete ventos. São pessoas sarcásticas que falam o que querem, as vezes irônicos, mas não ouvem o que não lhe é conveniente, não se arrependendo nunca daquilo que proferem com uma exatidão que faz com que os outros se sintam culpados, " e lá se passou mais uma oportunidade de ser ajudada", pela culpa inexistente.

Passam pelos outros com um desprezo e uma negligência a toda a prova, com um sorriso imensurável nos lábios. Nunca olham os outros nos olhos em uma conversa que pode se tornar desagradável pra si, com uma frieza de arrepiar e pouco lhe importa uma coisa como o oposto dessa coisa em "si mesmo". O indiferente faz uso das ações, mesmo que as faça sem perceber, com uma insensibilidade que magoam mais que mil palavras. São pessoas que não souberam viver o amor que lhes foi dado, abandonaram tudo. Viraram as costas, seguiram seus ideais e não admitiram ajuda de quem tentou lhes dar sua própria vida, vida esta que o indiferente, pega e em uma simples conversa o descarta como se descarta uma garrafa Pet. Aaaah sim, também é verdade e isso é um risco de quem está disposto a amar alguém assim, que esteja sempre preparado pra ser substituído, pois o indiferente a qualquer momento poderá despoletar e sem você nem perceber você já ficou a mercê do vento, por uma simples conversa que não goste, uma verdade que lhe machuque, uma situação que lhe pressione, basta que as contradigam, que as enfrentem de frente ou que elas se sintam desconfortável e tudo torna-se ruim, falta disposição pra tudo, se acham as pessoas mais fracas do mundo. E ai entramos em um ponto delicado dessa história toda.
Como já referi acima a indiferença é o pior dos sentimentos, pois os outros não sabem como agir quando os fazem sentir culpabilizados pelo que não fazem, nem praticam de modo algum. A falta de zelo é também um ponto a referir, pois normalmente são pessoas que não se empenham com o seu bem próprio ou o alheio, ou é um ou outro, ou eu me sacrifico pelos outros e sofro quieto, ou esqueço todo mundo e vivo sozinho, não pode-se haver uma união de mãos e luta lado-a-lado. Quando encontram-se nessa situação lhes é muito mais conveniente aceitar ser submetido a atrocidades, falsidades, submissão, omissão e perda total de opinião, do que dar a cara a bater, manejados por aqueles que forem mais espertos e dispostos a fazer qualquer coisa para manipulá-los. São indiferentes e desapaixonadas consigo próprias e indolentes. Aplaudem de camarote a sua total dominação no picadeiro da vida, as opiniões ou crenças são desencontradas. Nunca se confessam culpadas de nada e o erro é sempre dos outros indivíduos, voltar atrás com o perdão no coração é um tabu, raros são os fortes que enfrentam as dificuldades, pois são facilmente manipulados por quem isso lhes quiser fazer, e ao se depararem com um paredão de dificuldades se torna muito mais fácil abdicar dos seus sentimentos do que lutar por eles.
A indiferença é a negação total do Amor, do amor próprio e de quem lhes ama, como seres humanos, com seus direitos e deveres. A nulidade dos sentidos é um ponto de referência do sentimento de indiferença, nada é mais marcante do que se estar a falar com uma pessoa e essa pessoa tomar-nos por simples e insignificantes, que não tem o direito de lhes mostrar a verdade. Têm por normas serem pessoas egoístas e de ego elevado, não se preocupando com nada, seguindo somente o caminho mais fácil, sendo os amores descartáveis. Fazem do isolamento com quem os usa o seu cavalo de batalha, e estar fora do seu próprio circuito sentimental humano torna-se confortável e menos mau de se levar por diante, ante a sua indiferença traiçoeira e tirânica. 
A indiferença, como sentimento, é para se anular com paciência e doses elevadas de compreensão. E mais, quem usa da indiferença, para levar a sua vida por diante, não tem efeito positivo nenhum ou qualquer valor de registo, por onde passam.
Por último, mas não menos importante, a indiferença e as pessoas indiferentes, não têm exatidão nenhuma, quando se pronunciam. O indiferente é um masturbador passivo, totalmente omisso aos manipuladores e defendem com unhas e dentes os sentimentos destes, como na síndrome de estocolmo, situação esta onde a pessoa se apega de tal maneira a quem lhes usam, que tornam-se seus motivos de vida, cedendo seus próprios sentimentos e fluxo vital para lhes agradar, nenhum sacrifício se torna impossível, tiram suas próprias vidas, não significa nada, se for para o bem destes, matar quem lhe ama tão pouco importa, se lhes foi pedidos, são facilmente comprados com chantagens de todos os tipos, e não se veem no direito de serem ajudadas, pois não o querem que ajudem....

Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto. Reflitam... pois nunca é tarde pra acordar e voltar atrás com o coração, e retirar essa venda de indiferença dos olhos.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Ao Amor


"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como irei  falar. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de fazer. O que quero é fazer um elogio ao amor puro. Me parece que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali logo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa, por causa da cama. Por causa das cuecas, das calças e das contas da lancheria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e... à mínima merdinha entram logo em "diálogo" e... se foi o amor.
O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica (wow!!! palavrinha bonita essa) de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer um elogio ao amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão covardes e tão descompromissados como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, de um sacrifício sem volta, pois se é sem volta logo pensam "Vou procurar outro amor esse foi fraco, não me serviu", e lá se foi o amor de sua vida... os amores de hoje são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, de chegar no máximo do "tá bem? tudo bem? como está? vai la em casa hoje?", tomadores de biras, alcançadores de compromissos, banalidades, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um câncer a nos comer o coração e que nos canta no peito felicidade ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". O amor é uma recompensa, não é para qualquer um mas, é pra todos, todos aqueles dispostos a revelar os segredos que ele lhe impõe durante a vida, os que forem capazes de lutar essa guerra e desvendar seus segredos o terão como recompensa verdadeira, com total acesso aos seus tesouros.
Odeio esta mania contemporânea por fast-food, bebidas e descanso. Odeio os novos descasos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, flechadas, abraços, flores, já não se vê o Amor.  O amor fechou a loja. Foi transpassado ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo, É esse monstro de sete cabeças domesticável.  O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. é uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra.
A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não enxerga, não compreende, não existe. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente, minta e sonhe o que quiser.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, num piscar de olhos o coração já foi apanhado para sempre e você nem se deu ao luxo de saber o que aconteceu, simplesmente seguiu em frente. Mas nos finais de sua vida você olhará para trás procurando seu coração, talvez você o verá ao seu lado de mãos dadas com você... e então você poderá partir com a certeza de que resolveu os enigmas do amor. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que nos escapa das mãos. E durante o dia, durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, não ter e mesmo assim amar, querer e lutar pela última fagulha de esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir nem desistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. 
A vida dura a Vida inteira, o amor dura quantas Vidas uma alma viver. Só um amor pode transcender ao limite da Vida, e vence-la também."

domingo, 26 de junho de 2011

Liberdade...???

Na hora de cantar todo mundo enche o peito nas boates, nos bares, levanta 
os braços, sorri e dispara: ´eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também´. No entanto, passado o efeito do uísque com energético e dos beijos descompromissados, os adeptos da geração ´tribalista´ se dirigem aos consultórios terapêuticos, ou alugam os ouvidos do amigo mais próximo e reclamam de solidão, ausência de interesse das pessoas, descaso e rejeição. A maioria não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu. Não dá, infelizmente, para ficar somente com a cereja do bolo - beijar de língua, namorar e não ser de ninguém. Para comer a cereja é preciso comer o bolo todo... e nele, os ingredientes vão além do descompromisso, como:não receber o famoso telefonema no dia seguinte, não saber se está namorando mesmo depois de sair um mês com a mesma pessoa, não se importar se o outro estiver beijando outra pessoa, se entregar ao outro e não ouvir "eu te amo" e ter de partir de você dizer isso, ficar de mãos dadas com essa pessoa , olhar pra frente perceber que o adversário do outro lado é todo o mundo e ao procurar a pessoa que estava de mãos dadas à você fugiu... etc, etc, etc. Desconhece a delícia de assistir a um filme debaixo das cobertas num dia chuvoso comendo pipoca com chocolate quente, o prazer de dormir junto abraçado, roçando os pés sob as cobertas e a troca de cumplicidade, carinho e amor. Namorar é algo que vai muito além das cobranças. É cuidar do outro e ser cuidado por ele, é telefonar só para dizer bom dia, ter uma boa companhia no final do dia, transar por amor, ter alguém para fazer e receber cafuné, um colo para chorar, uma mão para enxugar lágrimas, é ver a pessoa chorar e não saber o que fazer para ajudar, mas a pessoa não quer que você faça nada, você ja está fazendo o máximo que poderia fazer que é estar ao seu lado, enfim, é ter ´alguém para amar´e ser amado.. Somos livres para optarmos!
E ser livre não é sair, farrear, pular, dançar, gritar, beber, se divertir, beijar na boca e não ser de ninguém. É ter coragem, ser autêntico e se permitir viver entregue ao Amor às custas de encarar a Dor de ter o mundo contra você, e mostrar que você pode vencer, chegar no final e poder dizer, eu venci essa luta e tenho um amor.

sábado, 25 de junho de 2011

Feche os olhos e pense com o coração

Conheço no mínimo trezentas maneiras sinceras de se dizer eu te amo. Nenhuma delas com palavras. Porque amor não é amor de dicionário. Amor não é palavra. Não existe amor sem olhos nos olhos, sem lágrimas rolando face abaixo, sem corpos em contato carnal, sem mordida, sem tapas, sem ódio. Não existe amor sem ódio. Porque quem ama odeia. Claro que odeia, sente raiva, não aceita, não entende, esperneia, grita, perdoa e depois faz tudo de novo sem entender o porquê. E o amor tem contrário. Tem sim. 
O contrário do amor é a indiferença. Mas a indiferença não é importante. O amor, ah, o amor é. E amor é invisível, amor se infiltra por dentro da gente e faz com que cada molécula de nosso corpo perca completamente a noção do que é, do que faz. Amor não é emoção, amor não é paixão, amor não é essa banalidade estúpida retratada em novela das sete com personagens caricatos. Amor se faz complexo. Dizem que amar é simples, mas quem concordaria? Todos que já amaram uma ou outra vez sabem. Amar não é fácil porque amar dói. E iludem-se aqueles que acham que amar não deveria doer. E convenhamos: se amar fosse fácil assim, se amar simplesmente acontecesse de forma natural, se amar não precisasse de esforço, se não precisasse de dedicação, se não precisasse de cultivo, não teria graça. Quem amaria? Por que se deveria amar? Ah, seria tudo perpassado por uma pacatez que me parece assustadora. Amor fácil é como felicidade que não conhece tristeza. Não existe. Não de verdade. Não pra além do dicionário, que limita nossa vida a algumas letras que justapostas se fazem prepotentes e se propõe a explicar tudo. Mesmo não dizendo nada. 
Então amar é isso. Amar é se envolver com o outro e tentar levar adiante uma relação sem qualquer motivo racional. Amor não tem explicação racional. E amor também não se compreende. O máximo que se pode fazer é senti-lo. Senti-lo com tudo que vem junto. Senti-lo com dores lancinantes que fazem você querer explodir, senti-lo com felicidades incomparáveis. E isso todos vocês sabem. Perdoem se até agora eu não disse nada de novo, se não inovei, se não criei. Mas cá entre nós: não era isso que eu queria. O que eu queria era colocar pra fora tudo que está engasgado. Eu queria gritar pra mim mesmo e pedir para que parasse de doer. Eu queria mesmo era ter certeza de alguma coisa. Porque vocês sabem que amor é repleto de insegurança. Que amor não quer exagero falso, mas também que não se agüenta sem demonstração. Amor é sutil e gosta de detalhes. Mentira. Amor gosta do exagero nos detalhes tanto quanto dos detalhes no exagero. E amor seguro é amor falso. Porque amor seguro é daqueles que acham que podem, como disse um grande sábio, aguentar qualquer coisa. Mas o infinito, o infinito não cabe no amor. E me diga, meu anjo, o que seria o outro se não um infinito bem desenhado? E se o outro é infinito e o infinito não cabe no amor, como pode? Paradoxo. Porque amor se faz latente. E amor não se faz claro. De maneira alguma, de modo algum, em situação nenhuma. Amor se reveste desse véu de sentimentos inexplicáveis e caros. E amor só nasce se você quiser amar. Pra se manter um amor tem que se ser forte. Aguentar dor e ódio. Mas tudo isso é conjectura. Tudo isso não passa de ideia. Mesmo assim uma coisa é certa: Amor(ar), seja lá o que for ou por quais palavras vazias de dicionário vir a ser definido por uma mente demente que seja, vale à pena. 
Amar vale cada grama de esforço empenhada, cada noite de sono mal dormida, cada lágrima de sangue derramada, cada batalha dada como perdida onde a resposta está dentro de você, amar é você deitar á noite e chorando perceber quem tem alguém que chora por você, você descobre que ama quando se afasta por motivos quaisquer e deitado no seu canto sozinho pensando na vida, analisando seu dia você percebe "Eu sou o amor pra alguém" isso é amar. Amor pode até ser uma desgraça, e desgraçado seja aquele que ama. Mas me diga: do que adiantaria graça se não houvesse amor? É, “sem amor eu nada seria”. Piegas, eu sei, mas é bonito. E, ah, sabe o que eu queria colocar pra fora que está engasgado aqui dentro? Que eu te amo. Era isso. É piegas também, eu sei, mas é bonito. Eu te amo.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Como se vive "O amor" nessa vida???

Como se vive um amor? Com palavras, gestos, atitudes, olhares, relâmpagos e temporal? Como, diabos, se vive um amor? Se jogando de cabeça, calculando, relaxando, cultivando medo? Tomando doses extravagantes de coragem e inconsequência? Afinal, como se vive um amor?

Nesse instante meu coração explode tão alto que se ouve da cozinha. Uma mãe, em luto, constata a causa da morte: morreu porque se entregou ao Amor. O sorriso nos lábios do defunto não mente. Talvez seja prova única de uma sinceridade pura. Daquelas de quem não tem mais nada no coração, sem ar.

E se tudo fosse diferente, criança? E se não fosse o que sabemos que é? E então os dias se apagam, a luz vai sumindo, tranquila, serena, sem muitos porquês. Estrelas ascendem aos céus enquanto te observam à distância, sem alma, se banha no mar. Outra mãe, em luto, constata a causa da morte: morreu porque o Amor não lhe amou.

E quando o amor é maior que a gente? 
E quando o amor é maior que seu peito, sua alma, suas pernas, seus braços, sua mente? E tudo parece pouco, o nada se torna infinito em sua concepção indefinida e você grita, literalmente, grita! De preferência abafando com o travesseiro, porque grito de amor é grito abafado. Sob chuva, travesseiro e cordas vocais. Primeiro canta, depois abafa e então grita. Em qualquer ordem, porque o produto é sempre o mesmo: você tá vivo, ou pensa estar. Por enquanto.

Já contou quantas vezes seu coração bate por segundo quando você escuta a voz de quem ama? hahaha...
Eu contei. Num sábado à noite em que eu não tinha nada pra fazer. Já percebeu que amar é sempre se matar aos poucos? Vai se matando, se matando, mutilando sua carne que sangra vermelho!


Sempre falaram que o amor era bonito. Como se fosse possível a beleza sem o avesso. E o avesso transfigurado é a gente. A gente é sempre avesso quando somos menores que nossos sentimentos. Idealização pobre, dirão todos eles: "Pequeno e fraco é quem luta pelo amor"  Principalmente os cientistas que, de crença, só creem que não podem crer.Os "Ricos" que só creem no que podem ter. Não existe nada maior que você. Se sente, é porque vive.
Morri de amor. Fiquei muito morto. Viver tem disso, morrer. Morre porque sabe amar. E depois ressuscita, porque morrer de amor não tem graça se não se vive o amor. Como se vive um amor? "Morrendo".

Mas isso é óbvio. A gente só vive morrendo por aí afora. Por amor e outros causas mais nobres. A gente morre por bala, por assassinato, por queda fatal, por artimanha do demônio e fúria inconsequente de deus. Mas a gente só morre sorrindo se tiver feito algo muito perverso pra alguém que realmente detestamos. Ou.... Amando. Aí o detalhe. Bom é foder com os outros. Ou Amá-los. Como se não houvesse amanhã e outras músicas mais.

O problema é que a morte tá muito cinematográfica. Morrer com estilo é muito caro. Precisa de um bom terno, um chapéu dos anos sessenta, uma submetralhadora semi-automática e um bom jogo de câmeras, de preferência 3D. Ter a cara de um astro de cinema também é recomendável, esse é complicado. Mas, porra, o que é o amor?

Vamos contar. Um, dois, três, quatro. Agora respira, isso. Agora traga. Vamos, tem que tragar. Mas segura. Isso. Pra ficar muito louco. Agora respira. Um, dois, três quatro. Isso, se droga de amor, menina. Não precisa ter medo, ainda não proibiram.... Ainda.

Pronto, agora temos a resposta e a teoria. O amor é uma droga maior que a gente e alucinógena. Puro psicotrópico. Ilegal em alguns "países" mais desenvolvidos, e aqui você pode fazer a analogia que quiser em relação a "países". Ilegal no discurso de todos os meus amigos mais corajosos. Porque você não pode depender de alguém além de si mesmo, quando escolher quem amar, situação essa que se pararmos pra pensar... ... ....  não cabe nem a nós mesmos escolher. Nunca. Não pode amar, não pode. É contra as regras, é repudiante. Queria dizer "é repugnável", mas não sei se a palavra existe. Não sei se podemos dizer algo que não exista. Mas morrer pode. Aí não tem problema. Mesmo que seja por amor.

Então.... fim. Amar é ser maior que si mesmo para abraçar algo que não cabe no próprio peito. Quis ser romântico. Tá aqui. Romantismo e sensibilidade pura. Coisas do amor. Não pode ser romântico também, é fraqueza. Mas e se a gente quiser amar e morrer? Em qualquer ordem? Acho perfeitamente plausível morrer e amar depois. Metaforicamente, emendo... "Ainda não morri" no literal. Enfim: Tanto faz. Não sei o que é o amor, não sei como vive-lo. Ele acontece nas melhores e piores famílias,entre elas também é verdade, sem critério nenhum. Do mesmo modo que quem o conhece não sabe lidar com ele, sem critério nenhum também. Mas sei como morrer, já fiz isso várias vezes e ponto e vírgula. O importante é esse sorriso, lembra dele no início do texto?
Meu coração explodiu no meu peito agora. De novo, pra variar. Outra mãe preocupada correu, fez massagem cardíaca, terminou e disse: -Não pode, meu menino!... e a mãe ouviu: -mas mãe Ela só me disse pra não Amar porque me Ama. Não é irônico??? 
Pois é...

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Uma Inspiradora Sensibilidade

Espero que esse ano eu consiga esquecer
Pra que lembrar do copo que já foi quebrado?
Agora é hora de construir e reconstruir
Não o copo, pois esse não teve conserto
Pois era muito frágil para meus lábios
Nem sonhos, pois basta dormir para sonhar
O copo quebrado diz:"Não me conserte,você pode se cortar com meus pequenos cacos"
Para que esse ano comece bem, eu preciso juntar todos os cacos
Que ficaram pelo chão, do quarto,do banheiro, do chuveiro...
E joga-los no LIXO
Quantas vezes meus lábios o tocaram
E ele teve a coragem de quebrar e ainda dizer pra eu não conserta-lo?
Eu poderia querer um copo de plástico, 

pra ele nunca quebrar
Mas eu quero é uma taça com a melhor champanhe
As melhores risadas
E se quebrar não faz mal
Pois já aprendi que existem certas coisas
Que não tem conserto
Que não devemos esperar ser consertadas
Pois na verdade nem elas tem a coragem
De serem consertadas...

 afinal o que os outros copos iriam pensar
"Você vai deixar ele te quebrar de novo?"
Logo eu que sempre fui tão delicado
Agora vejo o meu copo que estava quebrado
Todo colado, faltando pedaços
E ele não deixa barato
"Você me quebrou, agora vou tentar mãos mais frágeis que me cuidem"
Cuidado copinho, pra não cair na boca de todo mundo
E eu abano pra ele de longe dizendo...
"ADEUS vc não era FORTE o suficiente para mim!"
E ele sorri, com aquele sorriso irônico de quem diz:
"Agora com essas mãos e lábios mais delicados...

 eu vou me dar bem, você é passado"
Mas todos os outros copos sabem que ele está se enganando
Copinho,copinho...
Todos estão vendo que tem pedaços faltando
Pois você não foi forte o suficiente para ser consertado
Mesmo que você esteja sendo usado, ainda tem vestigios
De sangue, da minha boca
E boca igual a essa você sabe...
Não existe!!Não se engane!
Agora estou aqui sozinho, sem nenhum copo
Mas com minha taça de champanhe te acenando
E dizendo, boa sorte
Espero que você ache seus cacos pelos sacos de lixo da vida
Pois limpei tudo muito bem pra não ter o perigo de pisar novamente,

e correr o risco de me machucar.


terça-feira, 21 de junho de 2011

Ao meu eterno companheiro... O passado


Aaaah Passado,

Em pensar que fomos um só, tantas vezes em meio a tantas desgraças e que eu levava tanta fé em ti! Éramos uma dupla perfeita. Boêmios, sempre acabávamos juntos, unidos, chorosos numa mesa de bar ou entre os travesseiros e fronhas de uma cama vazia, contando desgraças. E mesmo assim, mesmo com toda a dor, ainda assim, éramos otimistas. Talvez fruto da inocência de uma vida sem sentido, aonde vivíamos pelo mero prazer de se viver, achávamos tudo bonito e perfeito. Ah que saudades da época em que ainda víamos um lado bom dentro de toda aquela podridão… As coisas eram incrivelmente mais simples e belas… Duro é reconhecer que a vida nem sempre é bela, e que nem tudo o que nos acontece tem um lado bom. Verdadeiramente falando, às vezes, simplesmente erramos em nossas escolhas, e esses erros geram conseqüências dolorosas.Não se entristeça comigo. Eu sei que você sente a minha falta, mas nós tivemos o nosso tempo, nosso bom tempo, e os nossos bons momentos… Contigo eu me descobri como Homem, Olhei para o mundo, vivi deliciosas irresponsabilidades, tempestuosas paixões, incríveis aventuras, ah como cometemos loucuras juntos!

 Você se lembra? Daquelas vezes em que saíamos ao relento, sendo levados pelo vento, uivando pelas ruas da metrópole, a espreita de mais uma nova e louca empreitada? É meu amigo, nós éramos realmente muito doidos! Com você ao meu lado eu não me preocupava com a opinião alheia, tudo era bom, tudo era perfeito, tudo era prazeroso. E se desse errado? Ah se desse errado que se dane o mundo, eu começava de novo! Se tem uma coisa que você me ensinou é nunca ter medo de tentar e ficar na amargura de nunca ter arriscado tudo com medo de perder o pouco que tenho! E quer saber? Talvez eu até gostasse disso, há um frescor, um sabor diferente no novo, uma maravilhosa adrenalina no começar! Confesso que ultimamente ando meio covarde, mas é que tive que enfrentar as coisas efetivamente de frente, e você sabe que eu nunca fui muito bom com isso, pelo contrário, sempre procurei me esquivar dos problemas. Hoje em dia, por mais que eu ache chato perder tempo removendo as pedras do caminho, preciso deixar minha estrada livre, e livrá-la das pedras... é um trabalho fundamental a ser feito antes que a chuva venha, e a faça transbordar.
Sinto muito sua falta. Talvez tenha errado em descartá-lo completamente. Deveria ter permanecido com sua ousadia, com o seu destemor, e aliar o seu otimismo ao meu dia-a-dia realista. Quero de volta o seu amor pela vida! Quem é essa com que você fala? Tenho a sensação de estar morto! Essa vida comum está me matando! Não meu amigo, eu não o quero de volta, como esta própria carta diz, você é passado e eu que faço a minha vida! Estou apenas acertando os ponteiros para o sucesso. E caso queira saber, eu venho aqui mesmo para lhe agradecer. Obrigado pelo que passamos, mas agora, ah agora… Muito mais do que povoar as páginas do destino com a minha presença, eu passo a estar aqui, para escrever em letras garrafais no livro da vida, o meu nome. Muito prazer presente, anuncie-me ao futuro, meu nome...? Paolo A. R. Souza


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mas você meu amigo, sei que não me abandonará, independente das minhas escolhas, sei que amanhã poderei deitar a noite  e conversar com você, pois você... sempre estará ao meu lado sem medo de encarar o nosso desconhecido inimigo.... .... .... o Futuro!!!